segunda-feira, 12 de abril de 2010

Tremoços

Já que a Marta puxou o assunto dos tremoços (a propósito martinha, estou como tu, a comida sabe-me a outras coisas e agora os tremoços sabem-me sempre a.. Imperial!!) sou sempre gozada quando conto a história do tremoço, leiam e para a próxima não quero ser gozada!!!

"Muito mais que um simples snack. Ligeiramente salgados, não há quem lhes resista. Um aperitivo "humilde", mas rico em termos nutritivos.

Conta a lenda que quando a Sagrada Família se dirigia para o Egipto, para fugir à perseguição do rei Herodes, que queria matar Jesus, passou por um tremoçal cujos tremoços, ao serem pisados, teriam feito muito barulho e deixado pegadas, denunciando a fuga. Nessa altura, Nossa Senhora tê-los-á amaldiçoado, dizendo que nunca matariam a fome a ninguém.
A partir daí e durante séculos, esta pequena leguminosa da família Fabaceae (tal como as ervilhas e as favas) ficou mal vista; no entanto, os povos antigos reconheciam-lhes várias espécies, sendo a amarela a mais comum entre nós (Lupinus luteus). A origem do seu consumo estará provavelmente no Egipto, e há quem opine que foi introduzido na Mesopotâmia na época greco-romana e a partir daí terá sido transportado pelos Fenícios para todo o Mediterrâneo. Mas existem também referências ancestrais a esta leguminosa na América do Sul, onde era utilizada como alimento básico.

"Poço" de virtudes

Pelas suas características porteicas, foi um dos pilares alimentícios de todos os povos do Mediterrâneo. Já Hipócrates, o pai da Medicina, recomendava o seu consumo, há quase 2500 anos, para evitar problemas digestivos e prevenir doenças hepáticas.
Também Plínio, o Velho, provavelmente o naturalista mais importante da Antiguidade, defendia que não havia alimento mais saudável e fácil de digerir que o tremoço. Mais tarde, Frederico, o Grande, rei da Prússia, conhecedor das suas propriedades, mandou plantar na Alemanha numerosas terras com tremoceiros...
Por detrás de tantas virtudes está a enorme riqueza desta leguminosa: em cada 100 g de tremoço amarelo cozido encontram-se 37 g de proteínas, 211 mg de cálcio, 81 mg de fósforo, 7.5 mg de ferro, 25 g de fibras (a dose diária recomendada pela Organização Mundial de Saúde é de 30 g), e ácidos gordos insaturados (os famosos ómega 3 e 6). Contém ainda vitaminas do complexo B e E. Isto significa que os tremoços são tão ou mais nutritivos do que o leite ou a carne (embora, e tal como as outras leguminosas, não os substituam totalmente).
Execelentes para os ossos, são uma fonte proteica e de potássio boa, para além de contribuirem para um eficaz funcionamento do trânsito intestinal. Alguns estudos feitos na União Europeia comprovam, inclusive, a sua acção no controlo da taxa de açúcar no sangue e na diminuição dos níveis de colesterol sanguíneo.
Possuem ainda propriedades emolientes, diuréticas e cicatrizantes, estimulando a renovação das células, o que favorece a regeneração da pele. Esta terá sido a razão por que as suas sementes, moídas e misturadas com água, eram usadas na cicatrização das feridas provocadas pelas batalhas sangrentas da Antiguidade..."

E tu a beberes chá Marta!! Afinal a solução para o colesterol estava ali tão perto!!!

Ah..

Morro de saudades das nossas tardes..