quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Dias Assim...


Hoje foi aquele dia…
o dia em que nos juntamos para comemorar o início de uma nova fase na vida de muitas de nós e, que por muito que sonhássemos, neste momento custanos muito saber o quê fazer com o que sentimos. É uma agressiva mistura de tudo e de nada que abala demais as nossas estrutura. Eu que não sou de ferro, embora muitas vezes tente passar que sim, hoje fui felizmente vencida e em cada lágrima que derramei fui feliz… porque tinha-vos ali: num abraço, num beijo e num simples mas delicioso olhar. Hoje baixei a guarda e ao contrário do que é normal em mim, deixei que me pegassem ao colo (e como estava a precisar).
É verdade que perdi algumas pessoas no meu caminho, mas quando olho para cada uma de vocês, nas suas particularidades, percebo que ganhei em dobro. Partilho com vocês as minhas alegrias e tristezas, os meus ganhos e fracassos… sei que é inevitável novos voos e eu também os quero. O que não quero que nos aconteça, como diz Fernando Pessoa, é que um dia o que reste de nós sejam só lembranças e algumas fotografias para mostrarmos aos nossos filhos, e nada mais.


«Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos
saudades de todas as conversas jogadas fora, das
descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos
tantos risos e momentos que partilhamos.

Saudades até dos momentos de lágrimas, de angústias, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso.

Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos.

Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Até que os dias vão passar, meses...anos... até este
contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo...

Um dia os nossos filhos vão ver as nossas fotografias e perguntarão:
"Quem são aquelas pessoas?"
Diremos...que eram nossos amigos e...isso vai doer tanto!
"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"
A saudade vai apertar bem dentro do peito.

Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrimas abraçar-nos-emos.

Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes
desde aquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida te passe em branco, e que pequenas
adversidades sejam a causa de grandes tempestades...»

Fernando Pessoa

Indubitavelmente não é fácil gerir os ganhos e indispensáveis perdas que vão surgindo ao longo do caminho. O meu não tem sido fácil e, hoje, sei que sem vocês não o teria conseguido percorrer até ao fim.
Não me custa crescer, porque na verdade parte de mim teve de o fazer a partir do momento em que saí de casa aos 19 anos para vir para a grande cidade, que me era desconhecida, a todos os níveis. Custa-me é aceitar que levamos anos para construir ou encontrar o “nós” para depois virem as “circunstâncias” e nos roubar umas das outras… custa-me olhar para vocês e perceber que levarei meses para voltar a ver os vossos sorrisos, sentir os vossos abraços e termos as nossas conversas, porque digam o que disserem somos "muito pele" e precisamos fisicamente umas das outras. Mais, precisamos ter a certeza que estamos por perto, mesmo que passemos semanas sem nos vermos…
Realmente não é fácil, mas hoje limpei a minha alma e nem vos sei explicar, mas hoje e agora, apesar de tudo o que já foi e o que ainda ai vem, SOU FELIZ POR VOS TER NA MINHA VIDA!

Amo-vos…

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