Há uma certa insabilidade emocional que advém destas fases de transição na nossa vida. A mim, dá-me para rir de emoção e alegria e desatar a chorar no final e olhem que não é bonito. Além de parecer que sou maluca a minha mãe sempre me disse que tenho o canal lacrimal demasiado aberto e que sou a única pessoa que ela conhece que consegue ter quatro lágrimas a escorrer de cada lado da cara em simultâneo. Tanta coisa bonita para as quais eu podia ser dotada, podia cantar bem, ou saber assobiar bem e canto mal que dói e os meus assobios saem so uns ligeiros sopros e ainda me babo toda. Mas bem, sei chorar a sério, cada um tem de se amanhar com aquilo que tem.
Nestes dias ou noites, ainda por cima fico cheia de fome. Graças a Deus tenho amigas que em vez de me lembrarem que no dia a seguir vou estar a praguejar por causa da gordura ainda me dizem: Vais fazer um bolo? Oh que bom, eu não tenho ovos senão também fazia! Manda-me um mms quando estiver a sair do forno!! E pronto, lá estava eu ontem à noite, a afogar as mágoas no resto das pataniscas de bacalhau do jantar e no bolo quente que obviamente teve as suas consequências logo a seguir... Tal como as emoções, vá-se lá saber porquê, a vontade de comer também vem alternada naquele doca-salgado-doce-salgado que é como o ovo e a galinha e só pára quando estou tão enjoada que tenho de ir buscar uma água das pedras para pôr um ponto final nesta gula louca.
Ora bem, companhia precisa-se, vamos la tentar ligar ao homem para ver se recebo uns miminhos e me animo, já devia ter adivinhado, completamente bêbado no meio de uma festa. Passo para uma amiga começamos a conversar, boa! Está no mesmo estado e já estamos a chorar ao telefone, oh meu deus! Bem, pelo menos não me posso queixar, até nos telefonemas tenho dos dois extremos um pouco, tal e qual como convém em noites destas! Mas amanhã é um novo dia e sei que vou poder descarregar tudo numa corrida (gosto de continuar a chamar jogging aos meus passeios no parque com um gelado, i-pod, horas e horas de cara ao sol para ver se melhoro o aspecto e o jogging reduzido ao caminho que faço de casa até ao parque) porque um bocadinho de fotossíntese e exercício faz milagres nestas situações.
Mas tudo isto só acontece desta maneira extrema porque a vida, tembém foi assim que a vivemos. Custa sempre chegar ao final de uma fase, somos todos resistentes à mudança, mesmo que seja para melhor, há que ter coragem de nos desprendermos de certas coisas, deixar as recordações para trás e dar aquele passo gigante em frente, mesmo que seja de olhos fechados. Só estou assim hoje porque sei que aproveitámos os últimos anos até ao limite, porque esticámos a corda até não poder mais, até chorar a rir, até cairmos de bêbadas, até desatarmos num pranto em pleno café da faculdade. Porque nos unimos desta maneira única sem termos medo do que nos iria acontecer quando tudo isto acabasse e tivessemos de nos separar, porque fechámos os olhos e demos passos à frente com força, para não termos de ver aquilo que estávamos a fazer, para não termos medo, aquele medo que prende as pessoas médias, que não as deixa viver, que as torna pequenas e tacanhas, fechadas no seu próprio casulo. Porque fizemos tudo aquilo que queríamos, algumas coisas que não queríamos, mas porque sobretudo tivemos o dom de nos arrepneder só daquilo que fizemos.
E agora estamos neste sprint final.
E se bem nos conheço, vamos desatar a correr e morrer depois da meta.
P.S. Prometo que relato quer o sprint com a bandeira nos braços quer a desidratação e o longo período a soro consequente.
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